Lendas



ORIXÁ da guerra, das batalhas, dos metais, da agricultura, dos caminhos e da tecnologia. 


Em muitas lendas aparece como irmão de Oxósse e Exú. Um símbolo de Ogum sempre visível é o màrìwò (mariô) - folhas do dendezeiro (igi öpë) desfiadas, que são colocadas sobre as portas das casas de candomblé como símbolo de sua proteção.

Depois de Exú é o Ogum que está mais próximo dos homens. Seu símbolo principal é uma espada de ferro chamada idà, seu dia é a quinta-feira.

Senhor da guerra, dono do trabalho porque possui todas as ferramentas como seus símbolos. Orixá do fogo e do ferro em que são forjados os instrumentos como espada, a faca, a enxada, a ferradura, a lança, o martelo, a bigorna, a pá, etc. 

É o dono do Obé (faca) por isso vem logo após o Exú porque sem as facas que lhe pertencem não seriam possíveis os sacrifícios. Ogum é o dono das estradas de ferro e dos caminhos. Protege também as portas de entrada das casas e templos. Ogum é protetor dos militares, soldados, ferreiros, trabalhadores e agricultores.


Ogum dá ao homem o segredo do ferro.

 Na Terra criada por Obatalá, em Ifé, os orixás e os seres humanos trabalhavam e viviam em igualdade. Todos caçavam e plantavam usando frágeis instrumentos feitos de madeira, pedra ou metal mole. Por isso o trabalho exigia grande esforço. Com o aumento da população de Ifé, a comida andava escassa. Era necessário plantar uma área maior.

Os orixás então se reuniram para decidir como fariam para remover as árvores do terreno e aumentar a área de lavoura. Ossain, o orixá da medicina, dispôs-se a ir primeiro e limpar o terreno. Mas seu facão era de metal mole e ele não foi bem sucedido. Do mesmo modo que Ossain, todos os outros Orixás tentaram, um por um, e fracassaram na tarefa de limpar o terreno para o plantio. Ogun, que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até então. Quando todos os outros Orixás tinham fracassado, Ogun pegou seu facão, de ferro, foi até a mata e limpou o terreno. Os Orixás, admirados, perguntaram a Ogun de que material era feito tão resistente facão. Ogun respondeu que era o ferro, um segredo recebido de Orunmilá. Os Orixás invejaram Ogun pelos benefícios que o ferro trazia, não só à agricultura, como à caça e até mesmo à guerra.

Por muito tempo os Orixás importunaram Ogun para saber do segredo do ferro, mas ele mantinha o segredo só para si. Os Orixás decidiram então oferecer-lhe o reinado em troca do que ele lhes ensinasse tudo sobre aquele metal tão resistente. Ogun aceitou a proposta. Os humanos também vieram a Ogun pedir-lhe o conhecimento do ferro. E Ogun lhes deu o conhecimento da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro tiveram sua ança de ferro. Mas, apesar de Ogun ter aceitado o comendo dos Orixás, antes de mais nada ele era um caçador. Certa ocasião, saiu para caçar e passou muitos dias fora numa difícil temporada. Quando voltou da mata, estava sujo e maltrapilho. Os Orixás não gostaram de ver seu líder naquele estado. Eles o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado. Ogun se decepcionou com os Orixás, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o fizeram rei e agora dizem que não era digno de governá-los. Então Ogun banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou suas armas e partiu. Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da arvore de Acoco e lá permaneceu. Os humanos que receberam deOgun o segredo do ferro não o esqueceram. Todo mês de dezembro, celebravam a festa de Uidê Ogun. Caçadores, guerreiros, ferreiros e muitos outros fazem sacrifícios em memória de Ogun.  Ogun é o senhor do ferro para sempre.

Ogum torna-se o rei de Irê. 

Quando Odudua reinava em Ifé, mandou seu filho Ogun guerrear e conquistar os reinos vizinhos. Ogun destruiu muitas cidades e trouxe para Ifé muitos escravos e riquezas, aumentando de maneira fabulosa o império de seu pai. Um dia, Ogun lançou-se contra a cidade de Irê, cujo povo o odiava muito. Ogun destruiu tudo, cortou a cabeça do rei de Irê e a colocou num saco para dá-la a seu pai. Alguns conselheiros de Odudua souberam do presente que Ogun trazia para o rei seu pai. Os conselheiros disseram a Odudua que Ogun desejava a morte do próprio pai para usurpar-lhe a coroa. Todos sabem que um rei deve ver a cabeça decaptada de outro rei. Ogun não conhecia esse tabu. Odudua imediatamente enviou uma delegação para encontrar Ogun fora dos portões da cidade. Após muitas explicações, Ogun concordou em entregara cabeça do rei de Irê aos mensageiros de Odudua. O perigo havia acabado. Ogum fora encontrado antes de chegar ao palácio de seu pai. Como Odudua queria recompensar o seu filho mais querido, presenteou Ogun com o reino de Irê e todos os prisioneiros e riquezas conquistadas naquela guerra.
Assim Ogun tornou-se o Onirê, o rei de Irê. 

Ogum livra um pobre de seus exploradores.

Um pobre homem peregrinava por toda parte, trabalhando ora numa, ora noutra plantação. Mas os donos da terra sempre o despediam e se apoderavam de tudo o que ele construía. Um dia esse homem foi a um babalawo, que o mandou fazer um ebó na mata. Ele juntou o material e foi fazer o despacho, mas acabou fazendo tal barulho que Ogun, o dono da mata, foi ver o que ocorria. O homem, então, deu-se conta da presença de Ogune caiu a seus pés, implorando seu perdão por invadir a mata. Ofereceu-lhe todas as coisas boas que ali estavam. Ogum aceitou e satisfez-se com o ebó. Depois conversou com o peregrino, que lhe contou por que estava naquele lugar proibido. Falou-lhe de todos os seus infortúnios. Ogun mandou que ele desfiasse folhas de dendezeiro, mariwo, e as colocasse nas portas das casas de seus amigos, marcando assim cada casa a ser respeitada, pois naquela noite Ogun destruiria a cidade de onde vinha o peregrino. Seria destruído até o chão. E assim se fez.
Ogun destruiu tudo, menos as casas protegidas pelo mariwo.

Ogum chama a Morte para ajuda-lo numa aposta com Xangô.

  Ogun e Xangô nunca se reconciliaram. Vez por outra  digladiavam-se nas mais absurdas querelas. Por pura satisfação do espírito belicoso dos dois. Eram, os dois, magníficos guerreiros. Certa vez Ogun propôs a Xangô uma trégua em suas lutas, pelo menos até que a próxima lua chegasse. 

Xangô fez alguns gracejos, Ogun revidou, mas decidiram-se por uma aposta, continuando assim sua disputa permanente. Ogun propôs que ambos fossem a praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem. Quem juntasse mais, ganharia. e quem perdesse daria ao vencedor o fruto da coleta. Puseram-se de acordo.

Ogun deixou Xangô e seguiu para a casa de Oiá, solicitando-lhe que pedisse a Iku que fosse à praia no horário que tinha combinado com Xangô. Oiá aquiesceu, mas exigiu uma quantia em ouro como pagamento, que recebeu prontamente. Na manhã seguinte, Ogun e Xangô apresentaram-se na praia e imediatamente o enfrentamento começou. Cada um ia pegando os búzios que achava. Vez por outra se entreolhavam. Xangô cantarolava sotaques jocosos contra Ogun. Ogun, calado, continuava a coleta. Oque Xangô não percebeu foi a aproximação de Iku. Ao erguer os olhos, o guerreiro deparou com a morte, que riu de seu espanto. Xangô soltou o saco da coleta, fugindo amedrontado e escondendo-se de Iku.  À noite Ogun procurou Xangô, mostrando seu espólio. Xangô, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto de sua coleta.


A Ira de Ogum

Ogum decidiu, depois de numerosos anos ausente de Irê, voltar para visitar seu filho (informação pessoal do Oníìré em 1952). Infelizmente, as pessoas da cidade celebravam, no dia da sua chegada, uma cerimônia em que os participantes não podiam falar sob nenhum pretexto. Ogum tinha fome e sede; viu vários potes de vinho de palma, mas ignorava que estivessem vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não era reconhecido no local por ter ficado ausente durante muito tempo. 

Ogum, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o silêncio geral, por ele considerado ofensivo. Começou a quebrar com golpes de sabre os potes e, logo depois, sem poder se conter, passou a cortar as cabeças das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas comidas prediletas, como cães e caramujos, feijão regado com azeite-de-dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os habitantes de Irê cantavam louvores onde não faltava a menção a Ògúnjajá, que vem da frase ògún je ajá (Ogum come cachorro), o que lhe valeu o nome de ògúnjá. 

Satisfeito e acalmado, Ogum lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra adentro com uma barulheira assustadora. Antes de desaparecer, entretanto, ele pronunciou algumas palavras. A essas palavras, ditas durante uma batalha, Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou.

OUTRA VERSÃO PARA ESTA LENDA

Ogum lutava sem cessar contra os reinos vizinhos. Ele trazia sempre um rico espólio em suas expedições, além de numerosos escravos. Todos estes bens conquistados, ele entregava a Odúduá, seu pai, rei de Ifé.

Ogum continuou suas guerras. Durante uma delas, ele tomou Irê. Antigamente, esta cidade era formada por sete aldeias. Por isto chamam-no, ainda hoje, Ogum mejejê lodê Irê - "Ogum das sete partes de Irê".

Ogum matou o rei, Onirê e o substituiu pelo próprio filho, conservando para si o título de Rei. Ele é saudado como Ogum Onirê! - "Ogum Rei de Irê!"

Entretanto, ele foi autorizado a usar apenas uma pequena coroa, "akorô". Daí ser chamado, também, de Ogum Alakorô - "Ogum dono da pequena coroa".

Após instalar seu filho no trono de Irê, Ogum voltou a guerrear por muitos anos. Quando voltou a Irê, após longa ausência, ele não reconheceu o lugar. Por infelicidade, no dia de sua chegada, celebrava-se uma cerimônia, na qual todo mundo devia guardar silêncio completo. Ogum tinha fome e sede.

Ele viu as jarras de vinho de palma, mas não sabia que elas estavam vazias. O silêncio geral pareceu-lhe sinal de desprezo. Ogum, cuja paciência é curta, encolerizou-se. Quebrou as jarras com golpes de espada e cortou a cabeça das pessoas. A cerimônia tendo acabado, apareceu, finalmente, o filho de Ogum e ofereceu-lhe seus pratos prediletos: caracóis e feijão, regados com dendê, tudo acompanhado de muito vinho de palma.

Ogum, arrependido e calmo, lamentou seus atos de violência, e disse que já vivera bastante, que viera agora o tempo de repousar. Ele baixou, então, sua espada e desapareceu sob a terra. Ogum tornara-se um Orixá.

Ogum e Oyá se transformam 

Oyá vivia com Ogum antes de ser mulher de Xangô. Ela ajudava Ogum no seu trabalho, carregava seus instrumentos, manejava o fole para ativar o fogo da forja. Um dia Ogum deu a Oyá uma vara de ferro igual a que lhe pertencia que tinha o poder de dividir os homens em sete partes e as mulheres em nove partes, caso estas as tocassem em uma briga.

Xangô gostava de sentar-se perto da forja para apreciar Ogum bater o ferro, e sempre lançava olhares a Oyá; ela por sua vez, também lançava olhares a Xangô.

Xangô era muito elegante, seus cabelos eram trançados, usava brincos, colares e pulseira. Sua imponência e seu poder impressionaram Oyá. Um dia Oyá e Xangô fugiram e Ogum lançou-se em perseguição deles. Encontrando os fugitivos, brandiu sua vara mágica, Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E assim que Ogum foi dividido em sete partes e Oyá em nove partes, recebeu ele o nome de Ogum Mejé e ela o de Iansã, cuja origem vem de Iyámésàn a mãe transformada em nove.

Outra explicação:

Ogum tem estreita relação com o número sete, o que é explicado por duas lendas iorubanas. Na primeira, ele aparece como o guerreiro - filho de Odudua, rei de Ifé - que conquista a cidade de Irê e assume o título de Oni (senhor ou rei). Em torno de Irê havia sete aldeias, hoje desaparecidas. Por essa razão, acreditava-se que Ogum fosse composto por sete partes, uma para cada aldeia conquistada. Em iorubano, sete é mejê, de onde resultou a expressão Ogum Mejê (O Ogum que são sete, ou o Ogum composto de sete partes). É a ele, portanto, que o ponto é dedicado.

A outra lenda fala do casamento entre Ogum e Oiá. Ogum tinha uma vara mágica, feita de ferro (metal que lhe está associado), que tinha a propriedade de dividir em sete partes os homens e em nove partes as mulheres que tocasse. Em sua oficina de ferreiro, Ogum confeccionou uma vara igual e deu-a de presente a Oiá. Algum tempo depois, porém, Oiá fugiu com Xangô e foi perseguida pelo furioso marido traído. Quando se encontraram, entraram em combate com suas varas mágicas, dividindo-se Ogum em sete parte e Oiá em nove. Por isso ela é chamada de Iansã, termo composto de duas palavras iorubanas: Iá ou Inhá (mãe) e messan (nove).



A Ira de uma Mulher

Ogum foi caçar na floresta, como fazia todos os dias.
De repente, um búfalo veio em sua direção rápido como um relâmpago; notando algo de diferente no animal, Ogum tratou de segui-lo.
O búfalo parou em cima de um formigueiro, baixou a cabeça e despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher.
Era Iansã, coberta por belos panos coloridos e braceletes de cobre.
Iansã fez da pele uma trouxa, colocou os chifres dentro e escondeu-a no formigueiro, partindo em direção ao mercado, sem perceber que Ogum tinha visto tudo. Assim que ela se foi, Ogum se apoderou da trouxa, guardando-a em seu celeiro.
Depois foi a cidade, e passou a seguir a mulher até que criou coragem e começou a cortejá-la. Mas como toda mulher bonita, ela recusou a corte. Quando anoiteceu ela voltou à floresta e, para sua surpresa, não encontrou a trouxa.
Retornou à cidade e encontrou Ogum, que lhe disse estar com ele o que procurava.
Em troca de seu segredo, Iansã foi obrigada a se casar com ele, com certas regras de conduta, dentre as quais proibi-lo de comentar o assunto com qualquer pessoa.
Chegando em casa, Ogum explicou suas outras esposas que Iansã iria morar com ele e que em hipótese alguma deveriam insultá-la.
Tudo corria bem, enquanto Ogum saía para trabalhar, Iansã passava o dia procurando sua trouxa.
Desse casamento nasceram nove filhos, o que despertou ciúmes das outras esposas, que eram estéreis.
Uma delas, para vingar-se, conseguiu embriagar Ogum e ele acabou relatando o mistério que envolvia Iansã.
Logo que o marido se ausentou, elas começaram a cantar: -Você pode beber, comer e exibir sua beleza, mas a sua pele está no depósito, você é um animal.
Iansã compreendeu a alusão.
Encontrou então sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e partiu para cima de todos, poupando apenas seus filhos. 


Agricultor

Ogum andava aborrecido no Orum, queria voltar ao Aiê e ensinar aos homens tudo aquilo que aprendera.
Mas ele desejava ser ainda mais forte e poderoso, para ser por todos admirado por sua autoridade.
Foi consultar Ifá, que lhe recomendou um ebó para abrir os caminhos.


Ogum providenciou tudo antes de descer ao Aiê.
Em pouco tempo foi reconhecido por seus feitos.
Cultivou a terra e plantou, fazendo com que dela o milho e o inhame brotassem em abundância.
Ogum ensinou aos homens a produção do alimento, dando-lhes o segredo da colheita, tornando-se assim o patrono da agricultura.
Ensinou a caçar e a forjar o ferro.
Por tudo isso foi aclamado rei de irê, o Onirê.
Ogum é aquele a quem pertence tudo de criativo no mundo, aquele que tem uma casa onde todos podem entrar.

Alternativa


Certa feita, numa reunião com todos os Imalés, falou-se muito sobre Obatalá, aquele que criou os homens, sobre Orunmilá, o dono do destino dos seres humanos. Sobre Bará disseram que era um importante mensageiro, e sobre Ogum, que era o mais importante de todos, que era o dono do ferro e dos metais e que sem as ferramentas que ele fazia era impossível plantar, colher, construir ou fazer a guerra.
Todos o reverenciaram, menos Nanã Buruku.

Aprendiz


Bará era um menino muito esperto, todo mundo tinha receio de suas artimanhas, ele enganava todo mundo, queria sempre tirar sua vantagem.
Sua mãe sempre o repreendia e o amarrava no portão da casa para ele não ir a rua fazer traquinagens.
Bará ficava ali na porta, esperando alguém se aproximar e então pedia seus favores, fazia suas artes e ali se divertia.
Só deixava passar quem lhe desse alguma coisa.
Sua mãe então chamou Ogum e disse a ele para ficar junto com Bará e dele tomar conta.
Ogum era responsável e trabalhador.
Ogum Avagã sempre ficou morando com Bará, na rua.
Juntos eles moram na porta da casa e se dão bem.
Bará continuou um menino danado, mas com Ogum aprendeu a trabalhar.

Casa Marcada

Um pobre homem peregrinava por toda parte, trabalhando ora numa, ora noutra plantação.
Mas os donos da terra sempre o despediam e se apoderavam de tudo o que ele construía.
Um dia esse homem foi a um babalaô, que o mandou fazer um ebó na mata.
Ele juntou o material e foi fazer o despacho, mas acabou fazendo tal barulho que Ogum, o dono da mata, foi ver o que ocorria.
O homem, então, deu-se conta da presença de Ogum e caiu a seus pés, implorando seu perdão por invadir a mata.
Ofereceu-lhe todas as coisas boas que ali estavam.
Ogum aceitou e satisfez-se com o ebó.
Depois conversou com o peregrino, que lhe contou por que estava naquele lugar proibido. Falou-lhe de todos os seus infortúnios.
Ogum mandou que ele desfiasse folhas de dendezeiro, mariwo, e as colocasse nas portas das casas de seus amigos, marcando assim cada casa a ser respeitada, pois naquela noite Ogum destruiria a cidade de onde vinha o peregrino. Seria destruído até o chão.
E assim se fez.
Ogum destruiu tudo, menos as casas protegidas pelo mariwo.

Coroação

Xangô ávido por tomar a coroa de OGUM, deu a este um sonífero no café e correu ao lugar onde a cerimônia ia ter lugar.
Ali Iemanjá mandou apagar a luz para começar a cerimônia.
Xangô aproveitando a escuridão, cobriu-se com uma pele de ovelha e sentou-se no trono.
A pele de ovelha servia para parecer-se com Ogum na hora em que a mãe o coroasse, já que Ogum por ser primogênito é tido como homem pré-histórico coberto por pêlos. Depois que Iemanjá colocou a coroa sobre sua cabeça e as luzes voltaram, todo mundo viu que era Xangô e não Ogum, mas já era tarde demais para voltar atrás.

Cumplicidade

Oxum estava casada com Ogum, mas Xangô a tinha visto e se enamorado dela; seguia-a por toda a parte, esperando o momento de encontra-la à sós num local deserto.
O dia chegou e Xangô excitado por tão longa espera, precipitou-se sobre ela para violentá-la.
Os caminhos pertencem a Bará, e Bará surgiu a fim de separar o par amoroso. Mas não fez...


Desobediência

Odé era irmão de Ogum e de Bará, todos os três filhos de Iemanjá.
Bará era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora.
Os outros dois filhos se conduziam melhor.
Ogum trabalhava no campo e Odé caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casas estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça.
Iemanjá, no entanto, andava inquieta e resolveu consultar um babalaô.
Este lhe aconselhou proibir que Odé saísse à caça, pois se arriscava a encontrar Ossaim, aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta.
Odé ficaria exposto a um feitiço de Ossaim para obrigá-lo a permanecer em sua companhia. Iemanjá exigiu então, que Odé renunciasse a suas atividades de caçador.
Este, porém, de personalidade independente, continuou sua incursões à floresta.
Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam, uma vez chegados junto a uma grande árvore (ìrokò), separavam-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a encontrar-se no fim do dia e no mesmo lugar.
Certa tarde, Odé não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos caçadores.
Ele havia encontrado Ossaim e este lhe dera para beber uma poção onde foram maceradas certas folhas.
Ogum, inquieto com a ausência do irmão, partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta.
Ele o trouxe, mas Iemanjá não quis receber o filho desobediente. Ogum revoltado pela intransigência materna recusou-se a continuar em casa.

Disfarce

Um dia em uma festa, onde Oiá a grande deusa dos ventos era homenageada, e todos se divertiam e dançavam, Omolú reparou em uma linda mulher que dançava graciosamente, fazendo movimentos sensuais e que ao vê-lo de longe, se encantou por ele e indo até ele o convidou a dançar, Omolú sem saber como reagir, tomou o caminho da mata, nesse momento Ogum seu irmão ao perceber o que estava acontecendo, correu mata à dentro e confeccionou um capuz com a palha encontrada na mata e deu a Omolú.
Se sentido seguro por ter o rosto coberto Omolú se aproximou de Oiá que o havia convidado para dançar e dançou junto com ela e ao verem como ele dançava muito bem os presentes se aproximavam para saber quem era aquele jovem que se escondia atrás azé.
Omolú se dedicou a conhecer as ervas e assim poder curar as doenças de seu povo, se tornando o grande curandeiro dos enfermos acometidos por doenças da pele e por doenças que causam a grande febre do corpo e consomem com suas feridas os homens.
Se sentindo seguro e como era muito aventureiro resolve caminhar pela terra e conhecer seu povo. Após uma longa jornada buscou a sombra de uma palmeira frondosa para descansar e adormeceu. Foi acordando com uma vós que queria saber o por que de estar ali dormindo e se necessitava de algo. A vós que o acordou era de um homem já maduro e este era seu pai Oxalá, que não sabia de sua existência e os dois trocaram informações, Omolú ofereceu água e vinho de palma para Oxalá, e Oxalá ficou muito satisfeito com essa gentileza e a conversa se estendeu de forma que Oxalá ficou sabendo dos conhecimentos de Omolu, com relação a cura das doenças da pele. E, em baixo da Palmeira, Oxalá consagrou Omolú, tornando-o assim Òbá Lú Aiyé,
O Rei do Mundo, ou O Rei da Terra.

Ferro versus Raios

Antes de se tornar mulher de Xangô, Oiá tinha vivido com Ogum.
A aparência do deus do ferro e dos ferreiros causou-lhe menos efeito que a elegância, o garbo e o brilho do deus do trovão.
Ela fugiu com Xangô, e Ogum, enfurecido, resolveu enfrentar seu rival; mas este último foi à procura de Olodumaré, o deus supremo, para lhe confessar que havia ofendido a Ogum. Olodumaré interveio junto ao amante traído e recomendou-lhe que perdoasse a afronta.
E explicou-lhe:
-Você, Ogum, é mais velho do que Xangô! Se, como mais velho, deseja preservar sua dignidade aos olhos de Xangô e aos dos outros orixás, você não deve se aborrecer nem brigar: deve renunciar a Oiá sem recriminações.
Mas Ogum não foi sensível a esse apelo, dirigido aos sentimentos de indulgência. Não se resignou aos sentimentos de indulgência.
Não se resignou tão calmamente assim, lançou-se à perseguição dos fugitivos e, trocou golpes de varas mágicas com a mulher infiel, que foi, então, dividida em nove partes.

Fruto de Coleta

Ogum chama a Morte para ajuda-lo numa aposta com Xangô.
Ogum e Xangô nunca se reconciliaram. Vez por outra digladiavam-se.
Por pura satisfação do espírito belicoso dos dois.
Eram, os dois, magníficos guerreiros. Certa vez Ogum propôs a Xangô uma trégua em suas lutas, pelo menos até que a próxima lua chegasse.
Xangô fez alguns gracejos, Ogum revidou, mas decidiram-se por uma aposta, continuando assim sua disputa permanente.
Ogum propôs que ambos fossem a praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem.
Quem juntasse mais, ganharia, e quem perdesse daria ao vencedor o fruto da coleta.
Puseram-se de acordo.
Ogum deixou Xangô e seguiu para a casa de Oiá, solicitando-lhe que pedisse a Iku que fosse à praia no horário que tinha combinado com Xangô. Oiá, mas exigiu uma quantia em ouro como pagamento, que recebeu prontamente.
Na manhã seguinte, Ogum e Xangô apresentaram-se na praia e imediatamente o enfrentamento começou.
Cada um ia pegando os búzios que achava. Vez por outra se entreolhavam.
Xangô cantarolava sotaques jocosos contra Ogum. Ogum, calado, continuava a coleta.
O que Xangô não percebeu foi a aproximação de Iku.
Ao erguer os olhos, o guerreiro deparou com a morte, que riu de seu espanto.
Xangô soltou o saco da coleta, fugindo amedrontado e escondendo-se de Iku.
À noite Ogum procurou Xangô, mostrando seu espólio.
Xangô, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto de sua coleta.


Fugidinha


Conta a lenda que Oxum teve uma grande paixão na sua vida: Odé, mais na época era casada com Ogum e não podia ter nada com Odé.
Numa das saídas de Ogum para guerrear, Oxum encontrou Odé e dele ela engravidou.
Nove meses depois, quando a criança estava para nascer, Ogum mandou recado que estava regressando.
Oxum não podia mostrar a ele a criança.
Ela deu a luz a um menino e o pôs em cima de um lírio e ali o deixou e foi embora.
Iansã passando viu aquela criança e sabia que era de Oxum, pegou e criou Logunedé.

Fúria do Guerreiro

Ogum uma vez ao voltar de uma caçada não encontrou vinho de palma e zangou-se de tal maneira que irado subiu a um monte e gritou ferozmente do alto da montanha ou monte, cobrindo-se de sangue e fogo e vestiu-se somente com o mariwo, esse Ogum furioso chamado agora de Xoroquê, foi para longe para outros reinos, sempre furioso, guerreando, lutando, invadindo e conquistando.
Com um comportamento raivoso que muitos chegaram a pensar tratar-se de Exu zangado por não ter recebido suas oferendas ou que ele tivesse se transformado num Exu.
Antes que ele chegasse a Ire, um Oluwo que vivia lá recomendou aos habitantes que oferecessem a Xoroquê, um Aja, Exu, e muito vinho de palma, também recomendou que, com o corpo prostrado ao chão, em sinal de respeito recitassem os seus orikis, e tocadores tocassem em seu louvor. Sendo assim todos fizeram o que lhes havia sido recomendado só que o Rei não seguiu os conselhos, e quando Xoroquê chegou foi logo matando o Rei, e antes que ele matasse a população eles fizeram o recomendado e acalmaram Xoroquê, que se acalmou e se proclamou Rei de Ire sendo assim toda vez que Xoroquê se zanga ele sai para o mundo para guerrear e descontar sua ira chegando ate a ser considerado um Exu e quando retorna a Ire volta a sua característica de Ogum guerreiro e vitorioso Rei de Ire.


Na mesma Moeda


Conta o mito que Oiá disputava com o marido, Ogum o primeiro lugar em valentia.
Um belo dia, Oiá convocou todas as mulheres na tarefa de pregar uma peça no senhor da guerra.
Para isto vestiram um macaco com panos coloridos dos pés a cabeça e soltaram o animal no local onde Ogum costumava passar. Quando Ogum viu o monstrengo correu, para deleite de Oiá e das outras mulheres.
A façanha se repetiu por 3 dias, encarregando-se Oiá de espalhar o ocorrido.
Após o terceiro dia de susto Ogun resolveu consultar Orumilá, que o orientou a chegar no lugar dos fatos 2 horas antes do horário costumeiro e se escondesse na mata. Cumprindo o determinado pelo senhor da adivinhação Ogum colocou-se a espreita e viu todo o ocorrido com indignação.
Jurou vingança, furioso juntou os homens e deu o troco em Oiá e nas demais mulheres, com a mesma moeda.
Vestiu um macaco do mesmo jeito e esperou que elas chegassem. Não deu outra, elas saíram gritando de medo e como punição as mulheres foram excluídas de participar do segredo do culto dos Eguns.

Professor Ferreiro

Na Terra criada por Obatalá, em Ifé, os orixás e os seres humanos trabalhavam e viviam em igualdade.
Todos caçavam e plantavam usando frágeis instrumentos feitos de madeira, pedra ou metal mole.
Por isso o trabalho exigia grande esforço. Com o aumento da população de Ifé, a comida andava escassa.
Era necessário plantar uma área maior.
Os orixás então se reuniram para decidir como fariam para remover as árvores do terreno e aumentar a área de lavoura.
Ossaim, o orixá da medicina, dispôs-se a ir primeiro e limpar o terreno.
Mas seu facão era de metal mole e ele não foi bem sucedido.
Do mesmo modo que Ossaim, todos os outros Orixás tentaram, um por um, e fracassaram na tarefa de limpar o terreno para o plantio.


Ogum, que conhecia o segredo do ferro, não tinha dito nada até então. Quando todos os outros Orixás tinham fracassado, Ogum pegou seu facão, de ferro, foi até a mata e limpou o terreno.
Os Orixás, admirados, perguntaram a Ogum de que material era feito tão resistente facão.
Ogum respondeu que era o ferro, um segredo recebido de Orunmilá.
Os Orixás invejaram Ogum pelos benefícios que o ferro trazia, não só à agricultura, como à caça e até mesmo à guerra.
Por muito tempo os Orixás importunaram Ogum para saber do segredo do ferro, mas ele mantinha o segredo só para si.
Os Orixás decidiram então oferecer-lhe o reinado em troca do que ele lhes ensinasse tudo sobre aquele metal tão resistente.
Ogum aceitou a proposta.
Os humanos também vieram a Ogum pedir-lhe o conhecimento do ferro.
E Ogum lhes deu o conhecimento da forja, até o dia em que todo caçador e todo guerreiro tiveram sua lança de ferro.
Mas, apesar de Ogum ter aceitado o comendo dos Orixás, antes de mais nada ele era um caçador. Certa ocasião, saiu para caçar e passou muitos dias fora numa difícil temporada.
Quando voltou da mata, estava sujo e maltrapilho.
Os Orixás não gostaram de ver seu líder naquele estado. Eles o desprezaram e decidiram destituí-lo do reinado.
Ogum se decepcionou com os Orixás, pois, quando precisaram dele para o segredo da forja, eles o fizeram rei e agora dizem que não era digno de governá-los.
Então Ogum banhou-se, vestiu-se com folhas de palmeira desfiadas, pegou suas armas e partiu. Num lugar distante chamado Irê, construiu uma casa embaixo da arvore de Acoco e lá permaneceu. Os humanos que receberam de Ogun o segredo do ferro não o esqueceram.

Rei de Irê


Quando Odudua reinava em Ifé, mandou seu filho Ogum guerrear e conquistar os reinos vizinhos. Ogum destruiu muitas cidades e trouxe para Ifé muitos escravos e riquezas, aumentando de maneira fabulosa o império de seu pai.
Um dia, Ogum lançou-se contra a cidade de Irê, cujo povo o odiava muito.


Ogum destruiu tudo, cortou a cabeça do rei de Irê e a colocou num saco para dá-la a seu pai. Alguns conselheiros de Odudua souberam do presente que Ogum trazia para o rei seu pai. Os conselheiros disseram a Odudua que Ogum desejava a morte do próprio pai para usurpar-lhe a coroa. Todos sabem que um rei deve ver a cabeça decapitada de outro rei.
Ogun não conhecia esse tabu.
Odudua imediatamente enviou uma delegação para encontrar Ogum fora dos portões da cidade.
Após muitas explicações, Ogum concordou em entregar a cabeça do rei de Irê aos mensageiros de Odudua.
O perigo havia acabado. Ogum fora encontrado antes de chegar ao palácio de seu pai.
Como Odudua queria recompensar o seu filho mais querido, presenteou Ogum com o reino de Irê e todos os prisioneiros e riquezas conquistadas naquela guerra.

Retomada


Odé é irmão de Ogum.
Num dia em que voltava da batalha, Ogum encontrou o irmão temeroso e sem reação, cercado de inimigos que já tinham destruído quase toda a aldeia e que estavam prestes a atingir sua família e tomar suas terras.
Ogum vinha cansado de outra guerra, mas ficou irado e sedento de vingança. Procurou dentro de si mais forças para continuar lutando e partiu na direção dos inimigos. Com sua espada de ferro pelejou até o amanhecer.
Quando por fim venceu os invasores, sentou-se com o irmão e o tranqüilizou com sua proteção. Sempre que houvesse necessidade ele iria até seu encontro para auxiliá-lo.
Ogum então ensinou Odé a caçar, a abrir caminhos pela floresta e matas cerradas.
Odé aprendeu com o irmão a nobre arte da caça, sem a qual a vida é muito mais difícil.
Ogum ensinou Odé a defender-se por si próprio e a cuidar da sua gente.
Agora Ogum podia voltar tranqüilo para a guerra.

Tempestade

Oxaguian estava em guerra, mas a guerra não acabava nunca, tão poucas eram as armas para guerrear. Ogum fazia as armas, mas fazia lentamente. Oxaguian pediu a seu amigo Ogum urgência, mas o ferreiro já fazia o possível.
O ferro era muito demorado para se forjar e cada ferramenta nova tardava como o tempo.
Tanto reclamou Oxaguian que Oiá, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogum a apressar a fabricação.
Oiá se pôs a soprar o fogo da forja de Ogum e seu sopro avivava intensamente o fogo e o fogo aumentado de calor derretia o ferro mais rapidamente.
Logo Ogum pode fazer muitas armas e com as armas Oxaguian venceu a guerra.
Oxaguian veio então agradecer Ogum.
E na casa de Ogum enamorou-se de Oiá.
Um dia fugiram Oxaguian e Oiá, deixando Ogum enfurecido e sua forja fria.
Quando mais tarde Oxaguian voltou à guerra e quando precisou de armas muito urgentemente, Oiá teve que voltar a avivar a forja.
E lá da casa de Oxaguian, onde vivia, Oiá soprava em direção à forja de Ogum. E seu sopro atravessava toda a terra que separava a cidade de Oxaguian da de Ogum. E seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo pó, folhas e tudo o mais pelo caminho, até chegar às chamas com furor atiçava.
E o povo se acostumou com o sopro de Oiá cruzando os ares e logo o chamou de vento.
E quanto mais a guerra era terrível e mais urgia a fabricação das armas, mais forte soprava Oiá a forja de Ogum.
Tão forte que às vezes destruía tudo no caminho, levando casas, arrancando árvores, arrasando cidades e aldeias.
O povo reconhecia o sopro destrutivo de Oiá e o povo chamava a isso tempestade.

Transformação dos Orixás 

Irocô era uma árvore, muito importante, importante a valer.
Olofin determinou que os orixás e Êres fossem cultuados pelos viventes, e eles saíram pelo mundo à procura de seus filhos com isto haveria a aproximação do mundo dos encantados com o das pessoas.
Irocô era muito cultuado e trabalhava muito, perto de onde estavam havia uma feira cheia de movimento, Irocô soprou e seu hálito em forma de vento que foi cair sobre a cabeça da moça que vendia na feira, a moça começou a rodar a rodar, a rodar e foi cair nos pés de Irocô, nascendo a primeira Locosi.
Isso quer dizer que Irocô chega no axé, chega para dançar e ficar.
Todos os orixás correram para o pé de Irocô, para uma grande junção, chegaram trazendo suas comidas prediletas:
XANGÔ > levou amalá.
OGUM>levou inhame assado.
ODÉ> levou milho amarelo.
OMULU>levou pipoca e feijão preto.
OSSAIM>levou farofa de mel de abelhas.
OXUMARÊ>levou farofa de feijão.
OXALUFÃ>levou milho branco.
OXAGUIÃ > levou bolos de inhame cozido.
ORUMILÁ>levou ossos.
BARÁ > chegou correndo e levou cachaça. Ajoelhou-se nos pés de Irocô e jogou 3 pingos no chão, cheirou 3 vezes e bebeu um pouco.
Neste momento IROCÔ transformou-se em árvore. OGUM em cachorro.
ODÉ em vagalume.
OMULU em aranha.
OXALÁ em lesma.
OXUMARÊ em cobra.
XANGÔ em cágado.
...e as comidas ficaram no pé da árvore.

Verdade Cruel 


Ododuá chegando ao Àie, cria tudo o que era necessário e delega poderes às divindades que o seguiram, conhecidos como os Àgbà, para governarem a criação, e volta ao Òrún, e só retornaria quando tudo estivesse realmente concluído.
Orixalá, que tinha ficado no Òrún com seus seguidores, já tinha moldado corpos suficientes para povoar o inicio do mundo, vai então para o Àie, com seus seguidores, os Funfun; fato que ocorre antes da volta de Ododuá para o Àie.
Quando Olófin retorna ao Àie, funda a cidade de Ilê-Ifé, e vem a ser o primeiro Oba do povo yorubano com o título de "Oba Óòni", ou seja, o primeiro Óòni de Ifé, e a cidade se torna a morada dos deuses e dos novos seres.
Durante todo este tempo, Ododuá que já estava casado com Ìyá Olóòkun, divindade feminina, responsável e dona dos mares, tem dois filhos, o primogênito, a divindade Ogum e uma filha de nome Ìsèdélè.
O tempo passa, e Ododuá, que era uma divindade negra, porém albina, incumbe seu filho Ogum de ir para a aldeia de Ògòtún, vizinha de Ifé, conter uma rebelião.
Ogum, divindade negra, senhor do ferro, parte para sua missão e realiza o intento, trazendo consigo Lakanje, filha do rebelde vencido.
Ora, Lakanje era espólio de Ododuá, o Óòni de lfé, portanto intocável, mas Lakanje era muito bela e extremamente sensual e Ogum não resistiu aos seus encantos e com ela teve várias noites de amor, durante sua viagem de volta.
Chegando a lfé, ele entrega os espólios da conquista, inclusive Lakanje, a seu pai Ododuá, que também não resistiu aos lindos encantos da mortal Lakanje e por ela se apaixona e acabaram por casar-se.
Ogum nada tinha contado a seu pai dos fatos ocorridos e logo após o casamento Lakanje está grávida, desta gravidez nasce um filho de nome Odéde.
Só que o destino foi fatídico, Odéde nasceu metade negro, como a pele de Ogum e metade branco, como a pele do albino Ododuá, revelando assim, a traição de Ogum para com a confiança do seu pai, esta situação gerou muita discussão entre Ododuá e Ogum, mas a principal foi "quem tinha razão", ou, quem teria mais "genes" no filho em comum, Odéde, e cada um se posicionava com a seguinte frase : "a minha palavra triunfou" ou "a minha palavra é a correta", que aglutinada é Òrànmíyàn e foi assim que ele passou a ser chamado e conhecido.


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